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informações sobre autismo

Autismo infantil

Nova pesquisa reforça descobertas para o diagnóstico do autismo infantil a partir da análise de líquidos cerebrais

Autismo infantil
Ressonância magnética de um bebê de seis meses diagnosticado com TEA aos dois anos (à direita) e cérebro de um bebê neurotípico (à esquerda). Carolina Institute for Developmental Disabilities (UNC-Chapel Hill)

Uma nova pesquisa publicada na revista Biological Psychiatry apresenta resultados que podem significar avanços no diagnóstico do autismo infantil a partir da análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), também conhecido como líquor. O estudo foi conduzido por pesquisadores do UC Davis MIND Institute, da Universidade da Carolina do Norte (UNC), junto a outras instituições americanas.

Segundo a pesquisa, a distribuição alterada de líquido cefalorraquidiano em crianças pode prever se elas vão desenvolver o transtorno do espectro autista (TEA). A análise do líquido cefalorraquidiano por meio de ressonâncias magnéticas consiste num possível marcador precoce capaz de indicar chances de desenvolvimento do autismo em bebês a partir dos seis meses de idade.

“Normalmente, o autismo é diagnosticado quando a criança tem dois ou três anos de idade e começa a mostrar sintomas comportamentais, atualmente não há marcadores biológicos precoces”, afirma David Amaral, diretor de pesquisa do UC Davis MIND Institute. Para David Amaral, “a existência de uma alteração na distribuição de fluido cerebrospinal que podemos ver em ressonâncias magnéticas tão cedo quanto seis meses é uma descoberta importante.”

Produzido pelo cérebro, o líquido cefalorraquidiano tem a função de absorver os impactos, evitando assim que o cérebro se choque com o crânio. O papel do líquido cefalorraquidiano, porém, pode ir mais além de seu papel como amortecedor cerebral. Estudos recentes têm mostrado que este líquido pode ter uma função no controle da migração neural e de outros mecanismos associados ao desenvolvimento cerebral, como a eliminação de moléculas “danosas”.

Para Mark Shen, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, “O líquido cefalorraquidiano é como o sistema de filtragem no cérebro. À medida que o LCR circula pelo cérebro, ele elimina partículas de resíduos que, de outra forma, se acumulariam. Acreditamos que o LCR extra-axial é um sinal precoce de que o líquido cefalorraquidiano não está sendo filtrado e drenado quando deveria. O resultado é que poderia haver um acúmulo de neuro-inflamação que não está sendo eliminada.”

O novo estudo confirma os resultados de pesquisa anteriormente realizada no MIND Institute em que foi observado em lactentes com aumento do líquido cefalorraquidiano no espaço subaracnóideo (perto do perímetro do cérebro) um maior risco de desenvolver o autismo. O presente estudo procurou validar os resultados anteriores em uma amostra maior de bebês no Infant Brain Imaging Study (IBIS), uma rede nacional de pesquisa de instituições como a UNC, a Washington University, o Children’s Hospital da Filadélfia e a University of Washington.

Para testar se o líquido cefalorraquidiano pode indicar risco aumentado de desenvolvimento do transtorno do espectro autista, os pesquisadores examinaram ressonâncias magnéticas de 343 bebês aos 6, 12 e 24 meses de idade. Neste grupo, 221 bebês tinham irmãos mais velhos com autismo e, portanto, tinham maior risco de desenvolver o transtorno. Os outros 122 sujeitos não tinham antecedentes familiares.

Os bebês que mais tarde desenvolveram o TEA apresentaram significativamente mais líquido cefalorraquidiano subaracnóide aos seis meses do que aqueles que não desenvolveram o transtorno. Entre os bebês de alto risco, aqueles que foram diagnosticados com autismo tiveram 18% mais do LCR subaracnóide. Estas medidas predisseram autismo no grupo de alto risco com cerca de 70% de precisão.

“Quanto mais líquido cefalorraquidiano extra-axial presente aos seis meses, mais graves os sintomas de autismo quando as crianças foram diagnosticadas aos 24 meses de idade”, observou Shen.

Os pesquisadores explicam, contudo, que determinar biomarcadores para o autismo, ou qualquer desordem, pode ser um processo complicado. Muitas vezes, os resultados iniciais dos estudos não são replicados em pesquisas subsequentes. O fato de o estudo atual confirmar a descoberta anterior é um passo significativo no processo de determinação de biomarcadores para o autismo, embora ainda existam muitas perguntas não respondidas sobre essa questão. Por exemplo, os pesquisadores não sabem se o acúmulo de LCR contribui para o autismo ou se é simplesmente um efeito de outra causa ainda desconhecida.

Além disso, o biomarcador não é “sensível” o suficiente para dizer com certeza se uma criança vai desenvolver autismo. No entanto, a ligação aparente entre o aumento do líquido cefalorraquidiano e o autismo pode ter um impacto clínico significativo. Em última análise, com mais estudos nessa área, acredita-se que o líquido cefalorraquidiano poderia ajudar a avaliar o risco de uma criança desenvolver TEA e, possivelmente, outros distúrbios neurológicos.

Compartilhe essa nova descoberta científica com seus familiares, amigos e colegas de trabalho e ajude na disseminação de informações sobre o autismo.

Quer saber mais sobre o autismo? Leia sobre o TEA em nosso site e encomende o livro “Dez Coisas que Toda Criança com Autismo Gostaria que Você Soubesse”, de autoria de Ellen Notbohm.

Nova metodologia orienta pais no tratamento de crianças com autismo com resultados positivos, afirma recente pesquisa britânica

 

Recente pesquisa publicada pelo jornal médico The Lancelot sobre nova metodologia que orienta pais no tratamento precoce de crianças com autismo tem resultados surpreendentes, trazendo melhorias no desenvolvimento das crianças, inclusive a longo prazo.

Isto é o que afirma também o jornal britânico The Guardian, que considera os resultados da nova pesquisa um avanço potencial no tratamento de crianças com autismo, beneficiando milhares de famílias.

Realizado no Reino Unido, o estudo envolveu 152 crianças de dois a quatro anos com autismo, muitas delas diagnosticadas com autismo severo e grandes dificuldades de comunicação. As crianças foram divididas em dois grupos, um grupo de controle e um grupo que recebeu a intervenção. As crianças do grupo de controle tiveram acesso às terapias tradicionais para o autismo, enquanto o segundo grupo recebeu o tratamento em estudo, denominado Preschool Autism Communication Trial (PACT).

Ao longo da pesquisa, os pais foram treinados para entender melhor as suas crianças e saber como interagir com elas. Os pais frequentaram duas vezes por semana, durante seis meses, uma clínica em que eram filmados em sessões com seus filhos, junto a uma caixa de brinquedos. Os pais participaram das sessões e depois assistiram aos vídeos destas sessões para reconhecer oportunidades de interação a partir de sinais das crianças mostrados nas gravações feitas. Por exemplo, alguns desses sinais seriam a criança oferecer um brinquedo ou fazer um som que poderia ser interpretado como um pedido oral. Logo, se uma criança oferecia um brinquedo, o pai era orientado a retribuir essa ação. Se a criança dissesse uma palavra, o pai poderia repetir essa palavra e acrescentar algo mais. Os pais foram orientados a dar continuidade a essas práticas em casa, no dia a dia.

Os primeiros resultados da nova terapia puderam ser notados pelos pesquisadores no final do primeiro ano de tratamento. O impacto mais significativo da terapia, entretanto, foi observado ao longo dos seis anos seguintes. Na fase inicial da pesquisa, 50% das crianças no grupo controle que não receberam o novo tratamento e 55% das crianças que participaram da nova terapia foram diagnosticadas com autismo severo. As crianças do grupo que recebeu a intervenção, contudo, obtiveram melhora em seu quadro, com a diminuição de parte dos sintomas. Na conclusão do estudo, 63% das crianças no grupo de controle foram diagnosticas com autismo severo, em comparação com 46% das crianças do grupo que recebeu a intervenção.

Segundo os pesquisadores, a comunicação das crianças com seus pais foi aprimorada no final dos seis anos do estudo. Os pais relataram também melhorias nas relações de seus filhos com autismo com outras crianças, na comunicação social e nos comportamentos repetitivos. Não foram observadas mudanças significativas, contudo, quanto aos comportamentos indesejados ou aos quadros de depressão e de ansiedade nas crianças com autismo, sendo que, nestes casos, as crianças ainda precisariam de muito apoio durante seu desenvolvimento.

“A vantagem desta abordagem em relação a uma intervenção direta entre o terapeuta e a criança é que ela tem potencial para afetar a vida cotidiana da criança”, afirmou o professor Jonathan Green, da Universidade de Manchester, que conduziu o estudo. “Nossas descobertas são encorajadoras, pois representam uma melhora nos principais sintomas de autismo anteriormente vistos como muito resistentes à mudança. 

Para o Professor Jonathan Green,“Isso não é uma cura, no sentido de que as crianças que demonstraram melhorias ainda mostrarão os sintomas remanescentes em uma extensão variável, mas sugere que trabalhar com os pais para interagir com seus filhos desta maneira pode levar a melhorias nos sintomas a longo prazo.”

Na reportagem publicada pela rede britânica BBC sobre a pesquisa, Louisa, mãe de Frank, conta que foi possível notar, paulatinamente, que as crianças começaram a expandir suas habilidades de comunicação durante o tratamento. “Você percebe coisas que não perceberia em tempo real. Coisas como esperar, dar a Frank tempo o bastante para se comunicar e comentar em vez de questioná-lo, de forma a não pressioná-lo para responder.” Louisa ainda comenta, “A equipe que me ofereceu o treinamento para aprimorar minhas habilidades confiava na minha percepção sobre o que mais interessava o meu filho.”

Tracey, mãe de Aaron, conta que os pesquisadores a encorajaram a brincar do que o filho gostava de brincar e a permitir que ele guiasse a brincadeira. Quando assitiam ao vídeo da brincadeira, os pesquisadores sugeriam para Tracey ações que em momentos similares promoveriam as habilidades sociais de Aaron.

Já para Adumea, mãe de Kofi, outra criança que também participou do estudo, “O poder dessa terapia é o fato de que se estende além da hora que você passa na sala do terapeuta porque vai para dentro de casa. É implantada na vida familiar e no jeito como você se comunica com seus filhos”. Adumea ainda ressalta, “E, como disse o Professor Green, isso envolve a vida familiar e a maneira como você se comunica com seus filhos e, a partir do que você aprende com isso, você pode então dizer às escolas: ‘Isto está funcionando, tente isso’ “.

A Inspirados pelo Autismo foca em orientar os pais de crianças com autismo para que eles promovam as habilidades sociais de seus filhos, inclusive em atividades da vida diária em casa. Promovemos cursos de três dias para pais e profissionais para ensinar técnicas práticas para ajudar crianças, adolescentes e adultos com autismo em áreas como comunicação, flexibilidade, comportamentos indesejados e atividades de vida diária. Oferecemos também cursos específicos sobre educação inclusiva que podem capacitar pais, professores e demais profissionais a apoiar projetos de inclusão escolar para pessoas com autismo. Leia em nosso site depoimentos sobre os nossos cursos e participe conosco!

Apoios visuais produzidos por um casal de pais ajudam crianças com autismo nas tarefas do dia a dia

Adriana Godoy é mãe, cantora profissional e uma pessoa super inspirada que, junto ao marido desenhista, elaborou uma série com excelentes apoios visuais para ajudar pessoas com autismo em seu dia a dia.

Chamados pelo casal de desenhos roteirizados, os materiais são uma eficaz ferramenta para ajudar pessoas com a autismo a compreender e internalizar situações cotidianas.

Segundo os autores, o uso dos desenhos roteirizados pode ajudar pessoas com autismo a organizar ideias e planejar atividades, colaborando para minimizar comportamentos indesejados e facilitando a autonomia, a aquisição de habilidades e o desenvolvimento das funções cognitivas.

Os desenhos roteirizados podem ser baixados gratuitamente no site Autismo Projeto Integrar e então podem ser impressos pelas famílias e profissionais em suas próprias impressoras. Os desenhos roteirizados estão divididos em categorias como higiene (banho, escovação dos dentes, corte de unhas e de cabelo, uso do vaso sanitário), cotidiano (acordar, ir para escola, vestir, despir, dormir), comportamento (cuspir, morder, se jogar no chão) e inclusão escolar (férias, aulas da semana, agenda de aulas, etc.).

Conheça mais sobre a trajetória da Adriana e de sua família assistindo a palestra que ela conduziu durante o evento TEDx. Nessa palestra, Adriana estabelece uma interessante analogia entre o universo da música e o mundo do autismo e leva a importantes reflexões sobre como de fato podemos integrar as pessoas com autismo na escola e na sociedade:

Conheça os desenhos roteirizados do Autismo Projeto Integrar e curta a fanpage do projeto no Facebook! Acessando o blog do projeto é possível também se cadastrar para receber os informativos.

Conte para nós quais desenhos foram mais úteis para você e como eles ajudaram a criança, adolescente ou adulto com autismo próximo a você! Compartilhe essa notícia com seus familiares e amigos e divulgue o trabalho do Autismo Projeto Integrar!

Lembramos que as imagens existentes no blog do Autismo Projeto Integrar têm direitos reservados, distribuição gratuita e foram produzidos por Neimer Gianvechio. Para mais informações sobre o projeto, por favor, entre em contato com a Adriana.

Formas de pensamento e autismo

Vídeos de Temple Grandin ajudarão você a entender melhor o pensamento das pessoas com autismo

Muitos pais e profissionais que convivem com pessoas com autismo já ouviram falar em Temple Grandin. Esta norte-americana, hoje uma jovem senhora com 68 anos, foi diagnosticada com autismo na década de 50. Ao longo de sua fantástica trajetória de vida, Temple Grandin escreveu livros, inspirou filmes e tem figurado como uma importante porta-voz sobre o autismo no mundo.

Temple Grandin foi capaz de superar suas dificuldades para tornar-se uma das mais bem sucedidas profissionais no universo das pessoas com características do espectro do autismo nos EUA. Ela não só dedicou parte de sua vida a disseminar informações e novas ideias sobre o autismo, mas também tornou-se PhD em Zootecnia, sendo considerada uma das mais célebres e revolucionárias Zootecnistas no segmento de manejo agropecuário – Temple Grandin implantou novas práticas no manejo do gado, por exemplo, a partir das observações que ela fez sobre o comportamento e a percepção espacial que estes animais têm em relação ao meio que os circunda.

Temple Grandin já foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes no mundo, segundo a revista americana Times, e continua em atividade: ela lançou recentemente o livro “O Cérebro Autista” e mantém atualizado um rico e detalhado site (na Língua Inglesa) sobre sua história, suas crenças e suas colaborações para a melhoria na qualidade de vida das pessoas com autismo.

Nos dois vídeos abaixo (legendados na Língua Portuguesa) Temple Grandin oferece um relato emocionante sobre a sua vida e a sua carreira. Ela menciona o filme rodado recentemente em sua homenagem, fala como superou suas dificuldades na infância e conta com carinho especial como o seu professor de ciências foi capaz de impulsionar seu desenvolvimento e seu aprendizado na escola ao compreender sua forma de pensamento e ao apostar em seus pontos fortes.

Os vídeos vão ajudar você a compreender as diferentes formas de pensamento existentes (e a entender como todas essas formas de pensamento são importantes para a nossa sociedade), além de chamar a atenção de pais, professores e profissionais para a necessidade de aproveitar os interesses e motivações das pessoas com autismo para construir interações e auxiliá-las a desenvolver as suas habilidades e a alcançar todas as suas potencialidades. Veja:

O que você achou da palestra de Temple Grandin no TED? Convide os seus amigos e familiares a assistir essa palestra e a aprender sobre os diferentes tipos de pensamento existentes!

Saiba mais sobre o livro “O Cérebro Autista”, de autoria de Temple Grandin, e conheça também em nosso site outras publicações sobre autismo que vão ajudar você a obter mais conhecimento sobre este importante assunto.

Adulto com autismo

Diagnosticado com autismo aos 31 anos, rapaz escreve detalhado e emocionante relato sobre sua trajetória e compartilha informações valiosas sobre o autismo

Adulto com autismoÉ possível que alguém viva por muitos anos com características do espectro do autismo sem receber um diagnóstico? A história escrita por Guillaume Paumier sobre a sua própria trajetória mostra que sim.

Mais do que mostrar que o autismo pode ser diagnosticado em pessoas adultas, o emocionante relato de Guillaume é uma rica oportunidade de conhecer mais de perto suas percepções, desafios, sensações, emoções e sentimentos.

O detalhado e elaborado relato de Guillaume aborda temas importantes para a compreensão do autismo, como a função da Teoria da Mente e o papel dos neurônios-espelho para as interações sociais. O relato traz à tona o debate em torno de concepções e ideias usualmente difundidas sobre o universo das pessoas com autismo, sob o ponto de vista de Guillaume.

Resgatando cenas marcantes de sua vida, desde a infância e a relação com a escola até o seu momento atual, das relações pessoais ao mundo do trabalho, Guillaume nos leva para bem perto de seu cotidiano e, assim, nos oferece a oportunidade de repensarmos nossas posturas e atitudes frente às pessoas com características do espectro do autismo.

Veja abaixo alguns trechos retirados do blog de Guillaume e acesse a versão em português de seu relato para continuar lendo o texto de autoria de Guillaume:

“Como poderá imaginar, descobrir que você está no espectro autista aos 31 anos muda a sua percepção completamente; de repente tudo começa a fazer sentido. Eu aprendi muito nestes dois últimos anos, e essa metacognição aumentada me possibilitou observar eventos passados através de uma nova lente.”

“Logo que eu me mudei para os EUA, toda vez que alguém me perguntava “How are you?”, eu fazia uma pausa para pensar sobre a questão. Agora eu já entendi que é somente uma saudação, não exatamente uma pergunta, e praticamente já digo de modo automático “Bem, e você?”. Tardo somente alguns milissegundos para sair do modo curto-circuito e acionar o processo de resposta. Mas se as pessoas saem dessa saudação inicial, esse atalho mental deixa de funcionar. Há alguns anos, uma pessoa do escritório da Fundação Wikimedia me perguntou “Como vai o teu mundo?” e eu fiquei paralisado por alguns segundos. Para poder responder àquela pergunta meu cérebro começou a revisar tudo o que estava acontecendo no “meu mundo” (e o “meu mundo” é grande!), até que eu percebi que eu só precisava dizer “Bem, obrigado!”.”

“Pessoas neurotípicas possuem neurônios-espelho que fazem com que elas sintam o que a pessoa à sua frente está sentindo; os autistas os possuem em quantidade consideravelmente reduzida, o que faz com que eles tenham que escrutinizar os seus sinais para poder tentar entender o que você está sentindo. Mas, ainda assim, eles são pessoas que têm sentimentos.”

Agradecemos ao Guillaume pela oportunidade de divulgar em nosso blog suas valiosas percepções e experiências.

Esperamos que o relato de Guillaume inspire pessoas com autismo, pais, familiares e profissionais e tragas novas ideias e reflexões! Leia o texto completo de Guillaume e conte para gente o que você achou!

O texto de Guillaume foi traduzido por Tila Cappelletto e encontra-se acessível pelo link abaixo: https://guillaumepaumier.com/pt-br/2015/08/31/minha-vida-como-autista-e-wikipedista/

Sistema sensorial de pessoas com autismo

Como os estímulos do ambiente afetam as pessoas com autismo

Sistema sensorial de pessoas com autismo

Autismo é a denominação dada a um conjunto de características derivadas de um desenvolvimento neurobiológico atípico. Na atualidade, o autismo é referido como Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), termo que descreve um complexo grupo de transtornos de desenvolvimento caracterizado por dificuldades na interação social, comunicação e comportamento. Características do autismo incluem alterações no desenvolvimento de habilidades sociais e de comunicação, interesses restritos e comportamentos repetitivos.

O Espectro do Autismo é uma nomenclatura que indica uma ampla variação na sintomatologia e graus de dificuldades ou habilidades. Como as características das pessoas no Espectro do Autismo podem variar amplamente, comportamentos relacionados ao autismo nem sempre são compreendidos adequadamente.

O processamento sensorial das pessoas com diagnósticos do espectro do autismo pode ser diferenciado, e é comum notarmos, entre outras características, o aumento da sensibilidade ou a diminuição da sensibilidade a determinados estímulos, o que no campo da Terapia Ocupacional é chamado de “hipersensibilidade” ou “hipossensibilidade”. Muitas pessoas no espectro também apresentam dificuldade para filtrar os estímulos sensoriais, descartar o que for irrelevante e organizar o que for relevante, e podem sentir-se sobrecarregadas.

O aumento ou a diminuição da sensibilidade, somados a uma dificuldade na filtragem e organização dos estímulos, podem representar desafios sensoriais com impactos consideráveis para o bem-estar das pessoas com diagnósticos do espectro do autismo em seu dia a dia. Assim, alguns ambientes considerados confortáveis para outros indivíduos podem ser extremamente desafiadores para as pessoas que apresentam o transtorno.

Para que você possa compreender como os estímulos do ambiente afetam as pessoas com autismo, convidamos você a experimentar as sensações provocadas pelos vídeos abaixo. A seleção dos vídeos foi feita a partir do site Mashable e de pesquisas no Youtube. As explicações sobre cada vídeo foram traduzidas do site Mashable e do Youtube:

Vídeo 1 – Tomando um café

A ida à uma cafeteria é concebida sob o ponto de vista de Carly Fleischmann, uma adolescente com autismo.
Baseado em um trecho do livro de Carly (Breaking through Autism, ou, em Português, Rompendo com o Autismo), o vídeo mostra porque para alguém com diagnóstico do espectro do autismo ir para um café pode acabar se transformando em uma situação muito desafiadora. O vídeo está na Língua Inglesa e contém legendas em Português.

Vídeo 2 – Transitando pela cidade

O filme de animação busca reproduzir as sensações experimentadas por uma pessoa com autismo durante um bombardeio sensorial.

Vídeo 3 – Brincando no parquinho

Neste vídeo, é possível navegar através de um parque infantil na perspectiva de uma criança com autismo que demonstra hipersensibilidade auditiva. A proximidade com outras crianças provoca uma sobrecarga sensorial para o espectador, impactando funções cognitivas. Este impacto é representado como ruído visual e desfocagem, bem como a distorção de áudio. Pessoas que já assistiram ao vídeo descreveram a experiência como algo visceral, perspicaz e convincente. O vídeo está na Língua Inglesa.

Vídeo 4 – Assistindo a um filme

Uma garota tenta explicar como uma pessoa com autismo se sente. Ela usa uma cena do filme Transformers e distorce o som e a imagem para simular uma sobrecarga sensorial vivenciada pelas pessoas com autismo. O vídeo está na Língua Inglesa.

Vídeo 5 – Andando na rua

Nesta simulação é possível sentir a diferença entre andar em uma calçada como uma pessoa neurotípica e como uma pessoa com autismo. O espectador do vídeo poderá notar que os sons vão se ampliando e que a iluminação fica mais brilhante, tornando o percurso mais confuso. O vídeo está na Língua Inglesa.

Vídeo 6 – Em casa com a família

O vídeo produzido pela organização britânica National Autistic Society mostra ao longo de 60 segundos como um adolescente com autismo percebe o ambiente ao seu redor, e como estímulos sensoriais domésticos impactam a sua percepção e as suas sensações.

Você já passou por uma experiência em que os estímulos do ambiente afetaram as pessoas com autismo próximas a você? Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência com outros pais e profissionais.

Nos Cursos da Inspirados pelo Autismo temos dinâmicas práticas especiais que possibilitam experimentar ainda mais as possíveis sensações vivenciadas pelas pessoas com autismo.

Nos colocando no lugar das pessoas com autismo, alteramos nosso olhar e nossa compreensão sobre os comportamentos e enxergamos novas formas para lidarmos com os desafios do ambiente e propiciarmos um dia a dia mais confortável às pessoas com autismo com as quais convivemos.

A Inspirados pelo Autismo oferece também uma série de livros que podem ajudar você a compreender melhor a pessoa com autismo e, assim, poder ajudá-la em casa, na escola ou no espaço clínico. Veja: http://www.inspiradospeloautismo.com.br/livros/

Como fortalecer um vínculo com sua criança com autismo

Ao fortalecer o vínculo com sua criança com autismo você poderá ajudá-la ainda mais a desenvolver as suas habilidades de comunicação e interação social.

Veja abaixo três passos simples para você sentir maior apreciação em suas interações e construir ou fortalecer um vínculo com sua criança com autismo:

Primeiro passo

Observe a atividade favorita de sua criança (uma atividade que não apresente comportamentos indesejados como choro, gritos, agressões, destruição de materiais ou qualquer atividade que ponha em risco a integridade física da pessoa, de outros ou dos materiais). Ela gosta de alinhar objetos, pular na cama, rodar em círculos, fazer sons com sua boca ou com objetos, desenhar, construir uma torre, falar sobre dinossauros ou sobre algum personagem? Observe a atividade e faça com ela. Corra com ela, pule, deite-se no chão e alinhe os carros com ela. Se ela estiver utilizando objetos na atividade e não quiser compartilhá-los com você, encontre objetos similares para utilizá-los da mesma forma que ela. Faça o que ela estiver fazendo mesmo que a atividade pareça uma tolice sem propósito. Se ela quiser a sua ajuda, a ajude! A princípio, não tente guiar ou direcionar, apenas siga a criança.

Segundo passo

Enquanto você acompanha a criança na atividade dela, procure envolver-se genuinamente com a atividade. Desapegue-se de quaisquer outros pensamentos para que você possa estar “presente” na atividade. Não pense no que as outras pessoas iriam pensar se elas vissem você correndo e balançando as suas mãos. Permita-se brincar como a sua criança! Se você não consegue ou não se sente à vontade para fazer exatamente o que ela faz, faça o que você conseguir ou se sentir à vontade para fazer. Por exemplo, se você está com a perna machucada e a criança está pulando na cama elástica, você pode acompanhá-la do lado de fora da cama elástica balançando seu corpo e braços no mesmo ritmo que ela. O importante é estar confortável na atividade.

Terceiro passo

Uma vez envolvido na atividade, comece a procurar uma forma de apreciar esta experiência e a criança que você está acompanhando. Você pode notar o entusiasmo de sua criança e sentir-se grato por ela ter encontrado uma atividade que ela claramente gosta. Você pode prestar atenção aos estímulos sensoriais interessantes ou prazerosos que a atividade traz para você – o que você sente no seu corpo ao fazer a atividade, como você vê as coisas durante a atividade, ou algum som que você ouve. Você pode sentir-se grato pela companhia da criança. Encontre algo em relação a esta atividade que você consegue genuinamente apreciar. Daí foque neste sentimento de apreciação enquanto você continua a seguir sua criança. Esteja consciente de como você se sente neste estado de apreciação e gratidão enquanto você acompanha sua criança na atividade escolhida por ela.

Que tal experimentar os três passos acima com a sua criança e depois contar para a gente como você se sentiu? Acha que essas dicas podem ser úteis para os seus familiares e amigos? Então, ajude-nos a compartilhá-las pelas redes sociais clicando nos ícones abaixo.

Quer aprender mais sobre a abordagem relacional, lúdica e motivacional da Inspirados pelo Autismo para ajudar a sua criança com autismo? Participe de nossos cursos e aprenda mais estratégias práticas para aplicar no dia a dia com sua criança com autismo.

Garotinha com autismo é nova personagem de app da Vila Sésamo

Garotinha com autismo é nova personagem de app criado pela Vila Sésamo

O programa infantil Vila Sésamo e seus divertidos personagens Garotinha com autismo é nova personagem de app da Vila Sésamoganharam uma incrível novidade: Julia, uma garotinha com autismo que agora faz parte do grupo de “muppets” que compõe o universo da Vila Sésamo.

A personagem Julia surgiu a partir da campanha Sesame Street and Autism: See Amazing in All Children, que tem como objetivo promover o conhecimento e a conscientização sobre o autismo entre crianças, adolescentes e adultos. O foco da campanha é ajudar famílias de crianças com dois a cinco anos por meio de recursos digitais.

Entre as iniciativas da campanha está o lançamento de um app com download gratuito (na Língua Inglesa) com vídeos contendo vivências das famílias, cartões de rotina diária criados para facilitar as tarefas do dia a dia, e um livro com histórias que pode ser utilizado por pais, profissionais, cuidadores e instituições educacionais que apoiam pessoas com autismo.

As aventuras envolvendo Julia e os demais personagens da Vila Sésamo retratam de forma lúdica e carinhosa as características da personagem e oferecem dicas sobre como interagir e se relacionar com as crianças com autismo. O livro com histórias,  por exemplo, explica aos amiguinhos de Julia que vão chegando como às vezes ela pode se expressar e brincar de uma forma singular.

O aplicativo e os vídeos on-line explicam como o autismo se manifesta a partir da perspectiva de uma criança com autismo, e “Isto é o que faz o nosso projeto tão único” disse a Dra. Betancourt, vice-presidente da US Social Impact, à revista americana People. Ela ainda ressalta que, desenvolvendo os conteúdos a partir do ponto de vista de uma criança, fica mais fácil ensinar aos seus pares como entender comportamentos como balançar as mãos ou fazer ruídos para expressar emoção, empolgação ou infelicidade. Isso torna as crianças mais confortáveis e cria um ambiente mais inclusivo.

A campanha deseja ressaltar, contudo, muito mais as similaridades entre as crianças como um todo do que diferenças entre elas, promovendo o respeito, a tolerância e a união. Para a Dra. Betancourt, “Nosso objetivo é levar adiante o que todas as crianças têm em comum, e não suas diferenças.” Para isso, as histórias envolvendo a personagem Julia buscam destacar também os pontos em comum entre as crianças, em vez de se concentrar apenas nas diferenças.

Assista ao vídeo musical (em inglês) de abertura da campanha, chamado The Amazing Song, que mostra como cada criança é única e especial em sua própria maneira:

Para conhecer mais sobre o projeto, você poderá assistir a outros vídeos, acessar o livro com histórias ou ver os cartões de rotina diária (todos em inglês).

Leia mais sobre aplicativos voltados ao bem-estar e ao desenvolvimento de crianças com autismo em nosso blog! Temos um post sobre aplicativos para telefones celulares voltados para os sistemas Android e Apple.

Você poderá compreender melhor a sua criança com autismo e saber como ajudá-la em sua rotina diária capacitando-se em nossos cursos.  Vem aí os novos cursos da Inspirados pelo Autismo para 2016, aguardem!

Quer contar sobre a nova personagem Julia do Vila Sésamo aos seus amigos? Então, nos ajude a divulgar esse post compartilhando-o em suas redes sociais.

Descontos por participante:

Turma 1 – São Paulo – 17 a 20 de setembro

Investimento por participante:
1º lote: R$1428 até o dia 10/07/20 (15% de desconto).
2º lote: R$1512 até o dia 10/08/20 (10% de desconto).
3º lote: R$1680 até o dia 08/09/20 (valor integral).
Inscrições limitadas e abertas até o dia 08 de setembro de 2020 (terça-feira).

Descontos em mais de um curso: Quem se inscrever em 2 cursos, também tem o desconto de 5% somado ao desconto por prazo de inscrição. Quem se inscrever em 3 ou mais cursos tem o desconto de 10% somado ao desconto por prazo de inscrição. Somados, os descontos podem chegar a quase 25% do valor integral dos cursos. Os descontos serão oferecidos no total do carrinho de compras.

Descontos para grupos: Inscrições para grupos de 2 pessoas têm mais 5% de desconto somado ao desconto por prazo de inscrição, e inscrições para grupos de 3 ou mais pessoas têm mais 10% de desconto somado ao desconto por prazo de inscrição. Somados, os descontos podem chegar a quase 25% do valor integral do curso. Os descontos serão oferecidos no total do carrinho de compras se apenas uma pessoa fizer a inscrição para todos. Para que cada membro do grupo possa fazer o pagamento da inscrição separadamente, mas com o desconto de grupo, entre em contato conosco por email.

Descontos por participante:

Turma 1 – São Paulo – 19 a 22 de março

1º lote: R$1428 até o dia 20/12/19 (15% de desconto).
2º lote: R$1512 até o dia 10/02/20 (10% de desconto).
3º lote: R$1680 até o dia 10/03/20 (valor integral).
Inscrições limitadas e abertas até o dia 10 de março de 2020 (terça-feira).

Turma 2 – São Paulo – 13 a 16 de agosto

Investimento por participante:
1º lote: R$1428 até o dia 10/06/20 (15% de desconto).
2º lote: R$1512 até o dia 10/07/20 (10% de desconto).
3º lote: R$1680 até o dia 04/08/20 (valor integral).
Inscrições limitadas e abertas até o dia 04 de agosto de 2020 (terça-feira).

Descontos em mais de um curso: Quem se inscrever em 2 cursos, também tem o desconto de 5% somado ao desconto por prazo de inscrição. Quem se inscrever em 3 ou mais cursos tem o desconto de 10% somado ao desconto por prazo de inscrição. Somados, os descontos podem chegar a quase 25% do valor integral dos cursos. Os descontos serão oferecidos no total do carrinho de compras.

Descontos para grupos: Inscrições para grupos de 2 pessoas têm mais 5% de desconto somado ao desconto por prazo de inscrição, e inscrições para grupos de 3 ou mais pessoas têm mais 10% de desconto somado ao desconto por prazo de inscrição. Somados, os descontos podem chegar a quase 25% do valor integral do curso. Os descontos serão oferecidos no total do carrinho de compras se apenas uma pessoa fizer a inscrição para todos. Para que cada membro do grupo possa fazer o pagamento da inscrição separadamente, mas com o desconto de grupo, entre em contato conosco por email.