Como ajudar pessoas com autismo a lidar com o barulho de fogos de artifício

02/02/2018

A equipe da Inspirados pelo Autismo recebeu a seguinte pergunta, ‘Meu filho de 4 anos entra em crise com fogos de artifício. O que posso fazer nesse momento e como posso ajudá-lo a longo prazo?’ Assista ao vídeo com a resposta da psicóloga e consultora da Inspirados pelo Autismo, Giovanna Baú. No vídeo, Giovanna explica sobre dificuldades de processamento sensorial que algumas crianças e adultos com autismo podem ter e dá exemplos de estratégias para ajudar pessoas com autismo a lidar com estes momentos desafiadores das festividades e com barulhos intensos e imprevisíveis.

Se preferir, leia abaixo a transcrição adaptada do texto do vídeo.

Crianças e adultos com autismo podem apresentar de maneira mais ou menos intensa dificuldades no processamento sensorial.  Há pouco tempo, a dificuldade sensorial foi incorporada como critério para o diagnóstico do espectro do autismo. A última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria – o DSM 5, coloca que pessoas com autismo também apresentam hiper ou hiporreatividade aos estímulos sensoriais do ambiente.

Como ajudar pessoas com autismo a lidar com o barulho de fogos de artifícioPessoas com o diagnóstico podem ser hipo ou hiperreativas sensorialmente a todos os sentidos: tato, olfato, paladar, visão, audição, propriocepção e sentido vestibular. Hoje falaremos sobre a hipersensibilidade auditiva respondendo à pergunta: “Meu filho de 4 anos entra em crise com fogos de artifícios. O que posso fazer nesses momentos e como posso ajudá-lo a longo prazo?”

Para tentar entender o que é a hipersensibilidade auditiva, experimente imaginar que você está em uma rua muito barulhenta e que você consegue escutar no volume máximo o barulho dos carros passando em alta velocidade, do carro vendendo algum produto, do caminhão de lixo passando, das pessoas conversando, da mulher andando de salto alto. Imagine todos esses sons chegando ao mesmo tempo em seu cérebro no volume mais alto possível. É isso que acontece muitas vezes com pessoas com autismo que apresentam hipersensibilidade auditiva.

Trabalhamos com muitas crianças que apresentam hipersensibilidade auditiva, conseguimos identificar esta característica quando, por exemplo: a criança coloca suas mãozinhas na orelha tampando os ouvidos; mostra-se desconfortável ou assustada quando, por exemplo, ouve o som de uma moto, do liquidificador, do secador de cabelo ou da máquina de cortar grama, quando começa uma música ou mesmo enquanto conversamos, se aumentamos nosso volume de voz. Muitas pessoas dentro do espectro já nos informaram que elas realmente chegam a sentir dor física quando ouvem alguns sons.

Na passagem do ano, na maioria dos lugares, temos inevitavelmente os fogos de artifício. Se sua criança demonstra desconforto frente a este estímulo, você pode ajudá-la a se preparar dando previsibilidade a ela, explicando o motivo e o momento em que as pessoas soltam fogos (por exemplo, estão felizes com a chegada do novo ano). Como parte de uma dessensibilização gradual, mostre imagens ou vídeos de fogos e festas de Réveillon no Youtube. Comece mostrando o vídeo sem o áudio ou com o volume bem baixo. Repita a exibição do mesmo vídeo, mas aumentando o volume aos poucos. Lembre-se de avisá-la que você está prestes a aumentar um pouquinho o volume. O vídeo já conhecido pode ajudar a criança a se preparar para os sons com um volume cada vez mais alto. Se a criança aceitar aumentar o volume ela mesma, melhor ainda, pois ela vai perceber que tem o controle dessa situação, poderá sentir menos medo e aumentará o volume de acordo com o quanto aquela sensação for suportável. Nos dias seguintes, continue mostrando vídeos de fogos até que a criança demonstre conforto mesmo diante de vídeos desconhecidos e com o volume já mais alto. No dia da festa, você pode pensar em usar um grande fone de ouvido, daqueles que cobrem toda a orelha (veja foto ao lado) e talvez escolher uma música que a criança goste para colocar já nos minutos anteriores à hora da virada do ano. Você pode inclusive buscar um local mais isolado para os minutos de foguetório. Esse local pode ser um cômodo mais protegido da casa ou mesmo o carro da família que, dentro do garagem, com os vidros fechados, pode abafar os ruídos externos. Caso a criança goste de alguma dessas ideias, deixe tudo previamente explicado para ela com o objetivo de tranquilizá-la!

Da mesma forma, dê previsibilidade em relação a outros sons que podem ser desconfortáveis para a criança, por exemplo, avisando que quando a criança chegar no seu quarto e fechar a porta, aí sim você fará a contagem regressiva e ligará o secador de cabelo no banheiro, para que o som fique mais baixo e não a incomode tanto.

Para uma criança que se assusta muito com o barulho de estouro de bexiga ou de balão, podemos ajudá-la a se dessensibilizar colocando a bexiga como parte de uma brincadeira divertida. Por exemplo, vocês podem brincar de colocar as bexigas embaixo de cobertores bem grossos (que abafarão o som do estouro) e então pular em cima para estourá-las. Você também pode explicar para ela que quando pularem vocês irão ouvir um barulho de estouro, mas que ele será bem mais baixo, dando assim previsibilidade. Se você estiver em um quintal ou pátio que permite atividades com água, a brincadeira de jogar bexigas cheias de água no chão pode ajudá-la a manter-se calma diante do estouro pois o som é abafado parcialmente pela água. Fique atento às expressões faciais e à forma como ela reage a esses sons. Caso ela ainda demonstre ficar muito desconfortável com o som, pense em atividades que ofereçam o estímulo de um som parecido, mas que ela não tenha tanto medo, como por exemplo, uma brincadeira na qual você bate palmas e a criança pula dentro de um bambolê como resposta.

Um de nossos garotinhos tinha muito medo de bexiga justamente por conta de elas poderem estourar a qualquer momento. Faltavam poucas semanas para seu aniversário e seus pais queriam muito tentar inserir bexiga na festa. Montamos então uma brincadeira na qual ele tinha um grande pedaço de papelão em formato de agulha, e estabelecemos que cada vez que ele encostasse essa agulhona na bexiga eu faria um barulho muito engraçado. A bexiga não era estourada.  Ele gostou da brincadeira, e a cada vez eu aumentava meu volume de voz e fazia sons de estouro gradativamente mais próximos do que uma bexiga faz ao estourar. Mostrei vários vídeos de pessoas estourando bexigas começando com o vídeo no mudo e depois aumentando aos poucos o volume até chegar ao volume normal. Conseguimos então, ajudá-lo a se sentir confortável com o som e com a imprevisibilidade de que bexigas podem estourar a qualquer momento, e sua festinha teve direito a bexigas!

Se a sua criança com autismo ainda se sente mal em lugares muito barulhentos, procure levá-la a esses lugares nos momentos em que eles são mais tranquilos, por exemplo, ao invés de levá-la no shopping no final de semana, comece levando a criança pela manhã em um dia de semana. Seja a primeira família a chegar na festa de aniversário do coleguinha, e avalie se será melhor sair antes de todos cantarem parabéns. Leve a criança para a escola depois que o sinal tocou. Leve a criança para cortar o cabelo no cabelereiro quando não há nenhum outro cliente para secar o cabelo… Isso irá ajudá-los momentaneamente, e a longo prazo, como comentamos, você poderá trabalhar com a previsibilidade e dessensibilização dentro de atividades interativas nas quais a criança se sinta segura. Procure o apoio de um profissional de terapia ocupacional especializado em integração sensorial que poderá ajudá-lo a aplicar uma dieta sensorial com atividades sensoriais que auxiliem o desenvolvimento e o bem-estar de sua criança.

Em nosso blog, acesse os seguintes artigos com mais dicas para auxiliar as pessoas com autismo a lidar com as imprevisibilidades e estímulos das festas:

Veja também em nosso site a página sobre integração sensorial de pessoas com autismo e as páginas sobre o processamento de informações e a criação de um ambiente propício para o bem-estar e desenvolvimento de algumas pessoas com autismo.

Participe de um de nossos cursos sobre como promover o bem-estar e o desenvolvimento de pessoas com autismo.

Você já passou por situações parecidas com as expostas no vídeo? Faça parte da conversa abaixo comentando sobre suas vivências, dúvidas ou dicas relacionadas ao tema.

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Todos os comentários ( 8 )
  • Daniel Gomes de Araujo
    07/03/2018 em 7:57 pm

    ola boa noite , tenho um filho autista . ele faz tratamento na apae e um acompanhamento psicologico na impremed , mas não sei mais […] Leia maisola boa noite , tenho um filho autista . ele faz tratamento na apae e um acompanhamento psicologico na impremed , mas não sei mais o que faser , a professora do meu filho que e de apoio disse que não suporta mais meu filho na hora de ir pra escola e tranquilo mas quando ve a professora ele muda fica transtornado e ireconhecido no comportamento ... fica esterico e não da pra ficar na escola não sei mais o que faço port favor me oriente grato obgd!! Leia Menos

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    • Inspirados pelo Autismo
      Inspirados pelo Autismo
      @Daniel Gomes de Araujo
      13/03/2018 em 9:15 pm

      Oi Daniel, boa noite! Agradecemos o relato sobre o que está acontecendo na escola com o seu filho. Para ajudá-lo nestas questões, precisamos conhecer mais […] Leia maisOi Daniel, boa noite! Agradecemos o relato sobre o que está acontecendo na escola com o seu filho. Para ajudá-lo nestas questões, precisamos conhecer mais sobre seu filho, por isso recomendamos o serviço de nossas consultorias online: https://www.inspiradospeloautismo.com.br/servicos-para-pessoas-com-autismo/consultas-telefonicasvirtuais/. Recomendamos também nosso curso sobre a inclusão escolar, pois nele abordamos por 3 dias inteiros as questões relativas à educação inclusiva de pessoas com autismo. Nossos cursos em 2018 acontecerão na cidade de São Paulo/SP: https://www.inspiradospeloautismo.com.br/cursos-sobre-autismo-4/ Você acha que os profissionais da escola de seu filho teriam interesse em participar do curso? Leia Menos

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  • Roseli Aparecida Azevedo Caravina
    24/03/2018 em 7:57 am

    Obrigada, esse vídeo me ajudou muito tenho alunos autistas e percebe neles essa sensibilidade.

    Resposta
  • Erlane Aparecida Barbosa da Silva
    30/03/2018 em 11:44 pm

    Boa noite! Amei o assunto sobre a sensibilidade ao som! meu filho tem 12 anos e tem autismo leve,estudou muito tempo em escolas particulares,atualmente (ha 3 meses)esta […] Leia maisBoa noite! Amei o assunto sobre a sensibilidade ao som! meu filho tem 12 anos e tem autismo leve,estudou muito tempo em escolas particulares,atualmente (ha 3 meses)esta na escola publica estadual,tudo estava bem,so que essa semana ele teve uma leve crise na escola,me ligaram e meu esposo foi busca-lo,o motivo BARULHO,ELE FICOU ESTRESSADO COM O COLEGA QUE BATUCAVA NA MESA PROXIMA A DELE,depois disso faltou 3 dias consecutivos,nao sei o que fazer pois nao tem como evitar,sao adolescentes e me sinto impotente,sera que existe uma forma de me orientar o que fazer,desde ja agradeço e os parabenizo pelo otimo trabalho,Att:Erlane Leia Menos

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    • Inspirados pelo Autismo
      Inspirados pelo Autismo
      @Erlane Aparecida Barbosa da Silva
      16/04/2018 em 4:46 pm

      Oi Erlane, boa tarde! Recomendamos que os profissionais da escola sejam orientados sobre o processamento sensorial de seu filho. Esses profissionais, por sua vez, poderiam […] Leia maisOi Erlane, boa tarde! Recomendamos que os profissionais da escola sejam orientados sobre o processamento sensorial de seu filho. Esses profissionais, por sua vez, poderiam explicar para os colegas que certos sons, especialmente quando são apresentados em conjunto com outros sons, podem ser desagradáveis para algumas pessoas e podem inclusive levar a um sobrecarregamento sensorial e a crises sensoriais/emocionais. Temos visto que compreensão leva a cooperação. Se os estudantes colegas de seu filho forem conscientizados de diferentes processamentos sensoriais, acreditamos que poderão ser mais cooperativos. Os professores podem ficar atentos também ao estado sensorial/emocional de seu filho para que possam ajudá-lo a evitar as crises. Torcemos para que as dicas lhe sejam úteis. Leia Menos

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  • Andreza Tayrine Oliveira
    16/04/2018 em 1:12 pm

    Minha filha tem três anos , não fala e desde de seus primeiras interação ela não suporta quando catam parabéns pra vc , impotese alguma […] Leia maisMinha filha tem três anos , não fala e desde de seus primeiras interação ela não suporta quando catam parabéns pra vc , impotese alguma suportar, ela entra em desespero. Como faço pra lhe dar com isso?? Leia Menos

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    • Inspirados pelo Autismo
      Inspirados pelo Autismo
      @Andreza Tayrine Oliveira
      16/04/2018 em 5:10 pm

      Oi Andreza, muitas de nossas crianças chegam cedo nas festas de aniversário e saem antes do parabéns por seu um momento desagradável/sobrecarregador para elas, então […] Leia maisOi Andreza, muitas de nossas crianças chegam cedo nas festas de aniversário e saem antes do parabéns por seu um momento desagradável/sobrecarregador para elas, então vocês podem começar fazendo isso. Em casa, podem brincar de aniversário e, no jogo simbólico, cantar parabéns bem baixinho e sem palmas com os familiares/bonecos/personagens favoritos dela. Depois trazer uma vela e experimentar aumentar o volume do parabéns gradativamente, até que vocês introduzam as palmas também. Algumas crianças não gostam também de ver o rosto das pessoas no escuro com a luz das velas, então recomendamos que não apaguem as luzes nas brincadeiras de parabéns até que sua filha já esteja bem tranquila em relação a isso. Esse processo pode levar algumas semanas ou até mais de 1 mês, o importante é fazer a dessensibilização e promover o aprendizado de habilidades gradativamente, sem forçá-la, com interações prazerosas. Recomendamos também que vocês procurem um profissional de terapia ocupacional especializado em integração sensorial para auxiliar sua filhinha. E nossos cursos poderiam seu úteis para você também, como o Módulo 1! Leia Menos

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Curso dinâmico e prático

“Finalmente encontrei um curso sobre autismo que atendeu minhas expectativas. Foi ministrado numa linguagem acessível, de forma dinâmica e prática, no qual assimilei um aprendizado que já me habilitou a lidar com o autismo.”

Ilza Correia, pedagoga
Curso sobre autismo.
Informações claras

“Informativo, interativo, responsivo e dinâmico. Curso muito organizado, bem estruturado, com informações claras e demonstrações muito sensibilizantes. Aporte teórico demonstrado na prática a todo o momento, facilitando o entendimento.”

Daniele Gomes, coordenadora pedagógica
Curso sobre autismo.
Inovador, prático e inspirador
“Inovador, prático, inspirador, conteúdo bem completo, considerando a amplitude das características do autismo.”
Yvina Baldo, professora e mãe
Curso sobre autismo.
Compreender o mundo do autismo
“Inspirador, me fez compreender o mundo do autismo (do meu filho) melhor, me deu força, esperança e me tirou do papel de expectadora, me abriu portas para um mundo diferente, me fez ter outros olhos e me deu o poder de fazer a diferença na vida do meu filho. Fiquei muito feliz de ter participado do curso e indico para todos os profissionais e familiares de pessoas com autismo.”
Danielle Speranza, mãe
Curso sobre autismo.
Aprender através de atividades prazerosas
“Como uma grande oportunidade de aprender, conhecer e desenvolver nossa sensibilidade de forma com que possamos auxiliar nossas crianças ou adultos com autismo a encontrar prazer em interagir socialmente, em brincar, aprender através de atividades lúdicas, interativas e prazerosas para ambas as partes. Vale a pena! É incrível!”
Fabrícia Corrêa Elias, professora
Curso sobre autismo.
Uma experiência fantástica
“Uma experiência fantástica, rica em conhecimento, informação. Superou minhas expectativas, realmente muito bom e proveitoso.”
Ellen Rolim, fonoaudióloga
Muito esclarecedor e motivador
“Fantástico, muito esclarecedor e motivador. Você sai do curso com vontade de chegar em casa e aplicar tudo que aprendeu.”
Lucia Sangiacomo, mãe