Show de talentos – uma atividade lúdica para crianças com autismo
Leia a seguir mais uma fantástica sugestão de atividade lúdica para crianças com autismo que poderá ajudar a sua criança, adolescente ou adulto com autismo a desenvolver os seus talentos e habilidades.
Interesses:
Programas de televisão, personagens favoritos, cantar, dançar, ouvir histórias, piadas, acrobacias e charadas.
Metas principais:
Participação física da criança na brincadeira. Flexibilidade. Desenvolver atenção compartilhada de 15 minutos ou mais.
Ação motivadora (o papel do adulto):
O adulto agirá como se fosse um participante de um show de talentos televisivo e representará os personagens nas diversas apresentações sorteadas.
Solicitação (o papel da criança):
A criança jogará dois dados. O primeiro dado conterá figuras dos seus seis personagens favoritos. O segundo dado conterá palavras com seis tipos de apresentação (por exemplo, dançar, cantar, contar uma piada, fazer e responder uma charada, contar uma história, fazer uma acrobacia) que serão executadas pelos personagens.
Estrutura da atividade:
O adulto explica à criança que eles vão participar de um incrível show de talentos e que, para escolher o personagem que irá se apresentar, eles precisarão jogar dois dados.
Com o primeiro dado, será possível saber qual personagem vai se apresentar e, com o segundo dado, o que acontecerá na apresentação.
Se a criança demonstrar interesse, o adulto começa então a simular o show de talentos, explicando que eles estão num auditório na TV e que logo em breve começarão a entrar alguns personagens muito legais. O adulto pode pedir à criança que se sente na plateia, para assistir ao show.
O adulto começa ele mesmo jogando os dados, um de cada vez. O adulto comemora o personagem sorteado e faz suspense quanto ao que será encenado pelo personagem.
Após o sorteio e a apresentação de alguns personagens, e quando o adulto notar que a criança está se divertindo e que ela está bastante engajada na brincadeira, o adulto poderá então solicitar que a criança jogue um dos dados ou os dois dados.
Assim que a criança se levantar da plateia e jogar os dados, o adulto responderá rapidamente e com entusiasmo, encenando o personagem e a apresentação determinadas pelos dados.
Caso a criança esteja interessada na brincadeira, mas ainda não queira jogar os dados, o adulto continuará jogando-os e aproveitando o período de atenção compartilhada, comemorando o contato visual, sorrisos e gargalhadas da criança.
Se vocês estiverem usando essa brincadeira em uma sessão a três, os dois adultos podem revezar a encenação dos personagens, deixando a brincadeira mais dinâmica.
Dependendo do estágio de desenvolvimento da criança e de sua flexibilidade, vocês podem alternar entre os três as funções de jogar os dados e fazer as encenações – a própria criança poderá realizar as encenações, caso ela se mostre interessada em assumir esse papel!
Materiais sugeridos:
Durante a atividade lúdica para crianças com autismo podem ser utilizadas vestimentas e acessórios que ajudem a caracterizar os personagens. As vestimentas e acessórios podem ser colocadas na prateleira. Já os dois dados podem ser confeccionados, por exemplo, com caixas de sapato.
Variações:
Podemos ajustar o grau do desafio desta atividade lúdica para crianças com autismo, pedindo que a criança, além de jogar os dados, aponte objetos na prateleira que poderão ser usados na apresentação do personagem da vez. A criança pode ainda ajudar o personagem a se preparar, vestindo os apetrechos que vocês escolherem na prateleira. Caso a criança mostre-se interessada e queira participar da apresentação do personagem, para incrementar a flexibilidade, você poderá criar cartões que seriam retirados de um envelope para saber quem será a plateia, o personagem ou o apresentador da vez.
Para ajudar a criança a manter-se motivada durante a interação e prolongar o tempo de duração da atividade, podemos inserir em alguns ciclos pequenas variações na ação motivadora, por exemplo, você poderá introduzir um terceiro dado, para determinar a forma como a apresentação deverá ser encenada pelo personagem: por exemplo, lenta, rápida, engraçada, triste, silenciosa, barulhenta (você não precisa solicitar à criança que jogue esse terceiro dado, mas se aproveitar dele para tornar a apresentação mais engraçada e curiosa). Se vocês estiverem em uma sessão a três, duas pessoas podem encenar ao mesmo tempo dois personagens, que podem estar atuando juntos de forma interativa no palco.
Caso a criança não se interesse pelos personagens do dado, podemos manter a atividade original e modificar os personagens de acordo com os interesses da criança no momento. Você poderá representar animais ou quaisquer outros personagens.
Se a criança se interessa pelo show de talentos e pelos personagens, mas desejamos trabalhar uma meta diferente, como a imitação, podemos manter a brincadeira, mas modificar o papel da criança na atividade. Ao invés de solicitarmos que ela jogue os dados, podemos pedir que ela imite paralelamente a nossa apresentação (por exemplo, em frente ao espelho). Podemos trabalhar também a comunicação, pedindo que a criança diga o nome do personagem que vai se apresentar ou, dependendo do estágio de desenvolvimento de sua comunicação, avise à plateia imaginária ou formada por bonecos que a tal personagem fará uma apresentação de tal coisa.
Se nossa criança mostrar-se envolvida com os personagens, mas não se interessar pelas apresentações feitas pelo adulto, podemos manter a mesma estrutura da brincadeira, e oferecer uma ação motivadora diferente, como por exemplo, o personagem sorteado no primeiro dado fazer cócegas, massagem/carinho na criança ou brincar de pega-pega com ela, que seriam as ações do segundo dado.
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Vamos ser honestos. Crianças com autismo ou síndrome de Asperger são consideradas “esquisitas” pela sociedade. O sofrimento que isso causa, tanto para a criança como para os pais, faz com que estes sintam uma necessidade imensa de “consertar” essa faceta do filho. Se competência social fosse uma função fisiológica, poderíamos desenvolvê-la com medicamentos, nutrição, exercícios ou fisioterapia. Se as crianças com autismo fossem curiosas, extrovertidas e tivessem motivação para aprender, poderíamos incluir inteligência social no currículo escolar.
Quando dizemos que queremos que nosso filho aprenda habilidades sociais, na verdade estamos almejando algo mais grandioso. Queremos que ele seja capaz de se ajustar ao mundo que o cerca, que seja independente na escola, no bairro, no trabalho e em seus relacionamentos pessoais. Mais do que seguir um livro de regras, ser social é um estado de ser confiante que se desenvolve quando as habilidades de pensamento social são cuidadosamente cultivadas, desde que a criança é pequenininha:
Você poderá criar um quadro visual do dia da festa, com todos os acontecimentos. Por exemplo, você poderá usar imagens da criança tomando banho, colocando a roupa já escolhida, entrando no carro e chegando ao local da festa. Você poderá acrescentar que vocês encontrarão os amigos, tios, primos e avós, que comerão coisas gostosas e que abrirão os presentes (caso a festa em questão seja o aniversário da pessoa com autismo ou o Natal). Use fotos e desenhos que facilitem a compreensão dos episódios.

Para que a pessoa com autismo possa se preparar para festas, você poderá lhe mostrar um calendário e contar os dias até a festividade. Mostre quantas semanas ou dias faltam, explique onde, quando e com quem vocês estarão, e use elementos visuais para rememorar a ocasião. Você poderá usar figuras de revistas ou da internet, mostrar fotos de outras festas ou colocar músicas que lembrem festas anteriores.