Nova pesquisa sobre padrões de pensamento no espectro do autismo

Concept of human intelligence with human brain on blue backgroun

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O rastreamento dos pensamentos associados às interações sociais através de ressonância magnética pode ajudar a revelar padrões cerebrais relacionados ao autismo, de acordo com uma reportagem veiculada no site de uma revista americana.

Até os dias de hoje, o diagnóstico do autismo vem sendo conduzido a partir de exames clínicos que envolvem a realização de entrevistas e observações comportamentais. O processo de diagnóstico pode envolver a realização de algumas consultas com a criança e a sua família. Nestas consultas, a criança é observada pelo profissional de saúde em situações da sua vida cotidiana e em situações específicas em que são examinadas as suas habilidades sociais e de comunicação, por exemplo, além de serem observados a existência ou não de comportamentos ritualísticos ou repetitivos e de outros indicativos do transtorno como diferentes respostas aos estímulos sensoriais.

A Revista Time publicou um artigo sobre uma pesquisa que mostra que exames com ressonância magnética, feitos nos cérebros de pessoas enquanto elas refletem sobre determinados assuntos, trazem indicativos que poderão vir a auxiliar no diagnóstico futuro do autismo. Marcel Just – autor do estudo, professor de Psicologia e diretor de um centro de pesquisas na Universidade Carnegie Mellon – junto de seus colegas, realizou uma série de exames de ressonância magnética funcional em 17 adultos jovens com autismo de alto funcionamento e em 17 pessoas sem autismo, enquanto estas pessoas pensavam sobre diferentes interações sociais, tais como o “abraçar”, “humilhar”, “chutar” e “adorar”. A equipe utilizou técnicas para mensurar a ativação de pequenos pontos do cérebro e analisou se os níveis de ativação formavam um padrão. O padrão constatado, segundo Marcel, é bastante semelhante entre as pessoas de desenvolvimento típico: “Quando você pensa sobre uma casa, uma cadeira ou uma banana, enquanto você está passando pela ressonância magnética, eu posso dizer no que você está pensando”.

A diferença nos padrões entre os dois grupos foi tão significativa que os pesquisadores conseguiram então identificar com 97% de precisão – em 33 dos 34 participantes do estudo – se um cérebro era de uma pessoa com autismo ou de uma pessoa neurotípica. Houve uma área do cérebro associada com a representação do ‘eu’ que não foi ativada nas pessoas com autismo, afirma Marcel. Segundo o autor, ao refletirem sobre abraçar, adorar, persuadir ou odiar, enquanto seus cérebros eram escaneados pela ressonância magnética, as pessoas com autismo pareciam pensar nisso como alguém que estivesse assistindo a uma peça de teatro ou lendo uma definição de dicionário. Estas pessoas não pensavam nessas ações como algo que se aplicaria a elas, indicando que no autismo a representação do ‘eu’ é alterada, fato que os pesquisadores vêm notando já há alguns anos. Para o autor do estudo, esta foi, contudo, a primeira vez que alguém usou essa premissa para tentar diagnosticar autismo a partir da observação da ativação de áreas do cérebro durante a realização de ressonâncias magnéticas.

A pesquisa sugere então que pode haver uma nova maneira de diagnosticar e compreender certos transtornos, como o autismo. Sabendo que tipos de pensamentos são tipicamente alterados em um determinado transtorno, seria possível pedir a uma pessoa que pensasse sobre eles e verificasse se seus pensamentos são de fato alterados em relação aos padrões observados nas pessoas neurotípicas, afirma Marcel. O estudo pode significar mais um avanço em direção a um diagnóstico mais rápido e mais preciso de transtornos como o autismo, e maior conhecimento sobre a forma de pensar utilizada por pessoas com autismo.

Você poderá ler mais sobre o autismo em nosso site e, para aprofundar seus conhecimentos no assunto, recomendamos ainda os livros Brincar para Crescer e Dez Coisas que Toda Criança com Autismo Gostaria que Você Soubesse.

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13 comentários em “Nova pesquisa sobre padrões de pensamento no espectro do autismo”

  1. Avatar
    Osmira Viana do Carmo

    Eu fico feliz em saber que profissionais estão conseguindo avanços para que crianças com autismo possam ser diagnosticadas o mais cedo possível. Tenho um filho autista com 34 anos que não fala.

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    Lourdes Martins

    Agradeço pela informação. Tenho um filho com 22 anos que não fala e gosta de brincar com água, fogo (fumaça), poeira e vento…É agressivo e toma remédio controlado. Sempre procuro ler sobre as pesquisas e descobertas e espero ver desvendados os “mistérios” que os envolvem.

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    Claudineide Reis

    Parabenizo os profissionais que se dedicam de corpo e alma à investigação dos Transtornos do Espectro Autista. Espero, num futuro bem próximo, poder ver que as distâncias criadas com as diferenças sejam menos importantes que as interações das relações humanas, de todos e com todos os humanos.

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    Deise Modolo

    Agradeço as informações, tenho um filho no espectro autista, toda e qualquer informação contribui muito para o nosso dia a dia. Nós, pais, temos uma vida muito sacrificada em prol dos nossos filhos que precisam de muita atenção diferenciada, pois o comportamento é muito diferente. Precisamos agir de imediato, quando a criança torna-se repetitiva, agressiva, diferente. Eles não sabem da dimensão da causa e efeito nas outras pessoas, por isso também sofrem com a discriminação, com a intolerância. Vamos nos unir e disseminar informações sobre a síndrome, para que eles possam ser mais bem compreendidos pela sociedade. Em nosso meio, existem autistas que são rotulados como anti-sociais, mal educados, chatos, com pais que não sabem impor limites, enquanto, que, na verdade, fazemos quase o impossível para os colocarmos na sociedade e sofrerem menos. Vamos nos ajudar para que as escolas treinem seus professores com alguma ajuda do governo, para darem condições de receberem mais informações em como lidar com uma criança diferente, mas que tem um coração, uma força e inteligencia muito maior que a nossa. Contem comigo, sou mãe de uma criança de 12 anos. Deise

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    Amei a matéria. A neuro do meu filho pediu a ressonância, mas na época não fizemos porque teria que ser induzido e o remédio faz efeito contrário…..

  6. Avatar

    E ótimo saber que continuam incansavelmente tentando achar um meio de nos explicar o por que do Autismo… Tenho uma filha diagnosticada autista com 10 anos, ela não fala, mas ate hoje ainda não sei o que houve, ou o porque dela ser autista, e isso me deixa muito angustiada, porque gostaria de ter uma explicação; sofro porque a sociedade no geral ainda não aceita pessoas que tem dificuldades de relacionamento e de comportamento e acabam sempre deixando ela de lado e se defendem o tempo todo isso me machuca principalmente que quase sempre isso acontece dentro da própria família é muito triste; penso apenas no que vai ser quando eu não estiver mais aqui para protege-la esse mundo e muito cruel.

  7. Avatar

    Que bom saber. Meu filho tem 12 anos, quantas vezes corri atrás de diagnóstico…Quando ele era menor, não tinha um diagnóstico preciso.

  8. Avatar

    Olá, sou psicóloga e psicanalista e trabalho há alguns anos com casos de autismo utilizando como técnica a arte terapia. Venho acompanhando a evolução das pesquisas e vejo que estamos em um momento de grandes saltos na compreensão do autismo em diversas linhas de trabalho. Pesquisas abrem caminho para uma intervenção apropriada para o quadro de autismo. O que posso acrescentar nesta tarefa junto ao autismo é que não podemos esquecer da singularidade de cada caso, o diagnóstico é de grande importância, mas saber como atuar nas particularidades de cada pessoa autista é fundamental para seu desenvolvimento. Um abraço.

    1. Avatar

      Olá Renata! Sou professora apoio nas escolas da rede municipal e estadual. Vc disse que utiliza da Arte terapia no atendimento de autistas. Seu método poderia me ajudar em sala de aula com o autista? Vc tem algum material que possa me ajudar? Abraços.

    2. Avatar
      Inspirados pelo Autismo

      Olá Renata,

      Agradecemos pelos seus comentários. Em nossa abordagem lúdica e motivacional, utilizamos os interesses e motivações das pessoas com autismo para criar sessões divertidas com elas, além de propiciar um aprendizado prazeroso. Saiba mais sobre a nossa abordagem acessando: http://www.inspiradospeloautismo.com.br/a-abordagem/

      Atenciosamente, Equipe Inspirados pelo Autismo

  9. Avatar
    Anesia Santos

    Muito boa essa informaçâo.Tenho um filho com Autismo que so foi diagnosticado aos 21 anos de idade.Desde o seu nascimento notei algo diferente em seu comportamento busquei ajuda com psicologos,neurologista e nunca tive um diagnostico.Sempre foi rotulado como mal educado,anti-social,egoista sofreu muito no periodo escolar com os colegas.Hoje esta na faculdade e tambem nao e diferente.Hoje aos 21 anos nao consegue trabalhar pois ninguem quer dar oportunidade a pessoa com Autismo(leve)mesmo com a lei das cotas.E um sofrimento para ele e para mim.

    1. Avatar
      Inspirados pelo Autismo

      Olá Anesia,

      Agradecemos por compartilhar conosco a sua trajetória com o seu filho. Parabéns pela dedicação e pelo trabalho de vocês em prol do desenvolvimento dele!

      Recomendamos que você leia (caso ainda não tenha lido) o Livro Dez Coisas que Toda Criança com Autismo Gostaria que Você Soubesse. Esse livro poderá ser repassado também aos familiares, amigos, vizinhos e demais pessoas da convivência de vocês, facilitando na compreensão sobre o autismo.

      http://www.inspiradospeloautismo.com.br/livros/dez-coisas-que-toda-crianca-com-autismo-gostaria-que-voce-soubesse/

      Atenciosamente, Equipe Inspirados pelo Autismo

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